Em 27 de Abril de 1852, a Presidência da Província do Rio de Janeiro,
contratou com Irineu Evangelista de Souza, mais tarde Barão e Visconde de
Mauá, a construção de uma Via Férrea, que partindo do Porto de Mauá, fosse
até a Raiz da Serra de Petrópolis.
Para levar a efeito o projeto, em 29 de Maio do mesmo ano, na sede
do Banco do Brasil no Rio de Janeiro, foi fundada a Imperial Companhia de
Navegação a Vapor e Estrada de Ferro de Petropolis, com capital de 2 Mil
Contos de Réis, divididos em
10 mil ações de Duzentos Mil
Réis cada. Irineu
subscreveu pessoalmente
um terço das ações e, pelos
estatutos, foi nomeado
Presidente da Companhia.
O Decreto do Governo
Geral N.º 987 de 12 de
Junho de 1852, concedeu-
lhe o privilégio por 10 anos, para a navegação a vapor entre a Côrte (Rio de Janeiro) e o Porto de
Mauá e já no dia 29 de Agosto do mesmo ano, na localidade de Fragoso, Distrito de Inhomirim,
foram inaugurados os trabalhos de construção da ferrovia, com a presença do Imperador e outras
autoridades, trabalhos estes que foram conduzidos pelos Engenheiros ingleses William Bragge,
Roberto Milligan (a quem coube a execução da Planta da Estrada) e Joseph Cliffe.
A Lei Provincial N.º 602 de 23 de Setembro, aprovou o
Contrato de 27 de Abril, concedendo Privilégio de Zona lateral
de 6 léguas (30 quilômetros) ao longo da via férrea por um
período de 30 anos. Já o Decreto N.º 1088 de 13 de
Dezembro, concedeu ao mesmo Irineu o Privilégio por 80
anos para a construção de uma outra ferrovia que partindo
de Petrópolis, passasse pelo rio Paraíba no lugar denominado
Tres Barras e daí seguisse para o Porto Novo do Cunha. Os
Estatutos da Companhia foram aprovados, com algumas
modificações, pelo Decreto N.º 1101 de 29 de Dezembro.
Em 6 de Maio de 1853, foi assinado com a municipalidade do Rio de Janeiro, o termo de sub-locação do
velho trapiche e do terreno contíguo a Prainha (hoje praça Mauá) para sede da Companhia. Em 5 de Setembro
do mesmo ano foi realizada a primeira experiência com uma Locomotiva em um trecho de 2 quilômetros.
Em 30 de Abril de 1854, com a presença da Comitiva Imperial, foi inaugurada a Ferrovia no
trecho de 14,5 kms entre Mauá e Fragoso. Nesta oportunidade, o Imperador conferiu a Irineu
Evangelista de Souza o título de Barão de Mauá. A Locomotiva que transportou a comitiva imperial
recebeu o nome de Baronesa, em homenagem a Maria Joaquina, esposa de Mauá. No dia seguinte
abriu-se o tráfego ao público. O transporte de cargas iniciou-se somente seis meses mais tarde, em
1.º de Novembro. Em 16 de Dezembro de 1856, foi inaugurado o trecho até a Raiz da Serra, ficando
assim a Ferrovia com seus 16,1 quilômetros de extensão.
Tendo a Companhia renovado seus estatutos, foram eles aprovados pelo Decreto N.º 2646 de
19 de Setembro de 1860, que ampliou o prazo para a Navegação a Vapor de 10 para 30 anos. Por
Decreto N.º 4761 de 24 de Julho de 1871 foi concedida à Companhia permissão para reduzir eu
capital de 2 Mil para Mil Contos de Réis.
Em 31 de Agosto de 1872 a Presidência da Província do Rio de Janeiro contratou com Mauá, o prolongamento da Estrada até o Alto da Serra,
sendo desde logo adotado para a construção da linha o sistema Riggenback (cremalheira central). A Lei Provincial N.º 1965 de 10 de Dezembro de
1873 não só aprovou o Contrato de 31 de Agosto, como concedeu a garantia de juros de 7% sobre o máximo capital de 600 Contos de Réis.
Estudos posteriores feitos pelo Engenheiro Francisco Pereira Passos porém, mostraram que seria necessário o dobro deste capital para levar a
ferrovia serra acima com segurança. Sobre o novo capital de 1200 Contos, requereu Mauá nova garantia que lhe foi negada. O contrato acabou
caducando.
Em 28 de Fevereiro de 1879 contratou a Província do Rio de Janeiro a
construção do mesmo trecho com Miguel Calógeras, Pandiá Calógeras e Luiz Berrini
(futura Companhia Estrada de Ferro Príncipe do Grão Pará) aos quais Mauá cedeu
generosa e gratuitamente os estudos que Passos fizera e que lhe haviam custado 30
Contos de Réis. Neste mesmo ano foi o capital da Companhia elevado a 1.100
Contos, em virtude das resoluções das Assembléias Gerais de 9 de Maio de 1878 e 10
de Junho de 1879.
Em 20 de Fevereiro de 1883, foi aberto ao tráfego o trecho da Raiz da Serra até
Petrópolis, em bitola métrica, pela Companhia Grão-Pará, cujas obras tiveram início
em Agosto de 1881, tendo sido abandonados o estudos cedidos por Mauá e realizados
novos que resultaram em novo traçado que reduziu as despesas a razão de 60%. O
prazo marcado no Privilégio concedido pela Província à ferrovia de Mauá em 27 de
Abril de 1852, foi prorrogado por mais 70 anos, em 21 de Fevereiro.
A 18 de Maio de 1883 fez a Grão-Pará, aquisição do ativo e passivo da Imperial
Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis, transferindo-lhe
esta os seus privilégios, a linha férrea e material flutuante pela quantia de 2 mil contos
de réis, mediante pagamento em títulos preferenciais (debêntures), vencendo os juros de 6,5 % ao ano e 1% de amortização. Em Assembléia
Extraordinária de 4 de Junho, a diretoria da Companhia de Mauá, aprovou o contrato de venda. Passou então a ferrovia de Mauá a constituir a 1.ª
Secção da Estrada de Ferro Príncipe do Grão-Pará, tendo sido sua bitola reduzida de 1,68 metro para 1 metro, evitando-se assim baldeações na Raiz
da Serra. A Locomotiva N.º 1, a Baronesa, foi então recolhida para Preservação encontrando-se desde então no Museu Ferroviário do Engenho de
Dentro, no Rio.
A Estrada de Ferro Mauá, oficialmente denominada Imperial
Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro de
Petropolis, foi a primeira ferrovia a ser estabelecida no Brasil.
A Baronesa, primeira locomotiva a circular no Brasil, em 30 de Abril
de 1854. Percorreu a distância de 14 km num percurso que ligava a
Estação de Mauá a parada provisória de Fragoso, no Rio de Janeiro.
A "Baroneza", primeira locomotiva a vapor no
Brasil e a única transformada em monumento
cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional, circulou pela primeira vez
em 30 de abril de 1854, quando foi inaugurada
a E.F. Petrópolis, fundada por Irineu Evangelista
de Souza, Visconde e Barão de Mauá, patrono
do Ministério dos Transportes
Embarcadouro do porto de Mauá.
Vê-se o barco, à esquerda e a
locomotiva da Leopoldina à direita.
Estação de Guia de Pacobaíba
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