Tiara (do persa تاره, transl. tara, traduzido para o latim tiara) é uma
espécie de coroa.
Tradicionalmente, a palavra "tiara" designa uma espécie de coroa,
de forma alta, freqüentemente de forma cônica, afunilada para o
lado do cimo, feita de tecido, couro ou metal e ricamente
ornamentada. Foi usada por antigos reis e imperadores de alguns
povos da Mesopotâmia. Os assírios a usavam ornadas de um par
de cornos de búfalo, como decoração e símbolo de autoridade, e
também com um círculo de plumas curtas em torno de seu cimo. As
tiaras persas assemelhavam-se mais a um cone truncado, sem
cornos nem plumas, mas com muitas jóias e com uma extremidade
cônica no cimo.
A tiara papal (também conhecida como Tiara Tripla ou Triregnum)
diferenciava-se por ser composta de três coroas, rematada por um
globo encimado por uma cruz, usada pelo Papa como símbolo de
sua autoridade e poder específicos e únicos. É distinta da mitra , insígnia litúrgica
própria dos bispos, portada igualmente pelos Papas.
Originalmente, a tiara papal era uma cobertura cônica, de tecido bem engomado, forrada, sendo que, no período gótico, o cone de tecido foi
substituído pelo de metal. Compunha-se de uma única coroa, mas, com o passar dos anos, foi acrescentada mais uma coroa e, mais
depois, uma terceira, assim permanecendo até sair de uso. Atualmente, persiste apenas como um símbolo da autoridade papal.
Na forma que chegou aos nossos dias, a tiara papal é uma cobertura de cabeça elevada, geralmente de prata, portando três coroas de
ouro, terminada em ogiva, sobreposta por um globo e uma cruz. Atrás, como a mitra, há duas ínfulas, que são fitas franjadas caídas sobre a
nuca, marcadas cada uma com uma cruz.
A forma da tiara papal variou no decorrer dos séculos, apresentando-se mais ou menos
bojuda, com ou sem globo e cruz, e também quanto à posição das ínfulas, mais ou menos
centralizadas.
 
Histórico da tiara papal
Há discordância entre os autores quanto à origem da tiara papal. A maioria deles admite
ser a tiara originária do ‘’camelauco’’, uma espécie de barrete frígio, cônico, alto, de tecido
branco, à moda frígia, que do Oriente passou a Roma, simbolizando a liberdade; sendo
que, pelo fim do século IV, foi adotado pelos papas, como ornamento de cabeça, à
semelhança daqueles usados por outros governantes investidos de autoridade monárquica.
Não se confirmou, historicamente, a
tradicional afirmação de que o Papa
Silvestre I recebeu de Constantino I o
camelauco, em sinal da liberdade da
Igreja.
O certo é que os papas usavam,
inicialmente, o camelauco, símbolo
tradicional de soberania no Oriente, com a
intenção de portarem uma peça distinta
da mitra dos bispos. A tiara era usada
pelos reis da Ásia em ocasiões de paradas, sendo que ordinariamente aqueles usavam
também uma espécie de mitra. Estando os romanos acostumados com o título de
“Pontifex Maximus” dado à mais alta dignidade da religião, que a partir de César Augusto
foi incorporado pelo imperador, os papas buscaram estabelecer um vínculo entre o seu
poder e os antigos imperadores romanos, assumindo a cobertura de cabeça dos
imperadores romanos do Oriente – os únicos imperadores romanos que então restavam –
buscando implementar a idéia dos reis assírios e persas de um “Rei dos Reis”, ou seja um
Imperador.
 
Os autores também discordam quanto ao Papa que teria colocado a primeira coroa na base da tiara. Alguns dizem ter sido o Símaco,
outros, Leão III, outros, ainda, o Nicolau I. Muitos historiadores franceses admitem que esta primeira coroa tenha sido colocada em 1130,
sob Inocêncio II, como expressão da soberania papal sobre o Patrimônio de São Pedro. Outra corrente afirma que Clóvis, batizado por volta
do ano 498, venceu os visigodos, na Batalha de Vouillé, em 507, graças ao apoio recebido de Anastácio, Imperador do Oriente, que lhe
nomeou cônsul e lhe concedeu o uso dos ornamentos correspondentes à dignidade de augusto. Na igreja de São Martinho, em Tours, foi
revestido destes ornamentos e teve sua fronte cingida por um diadema, o qual ele ofertou em seguida ao Papa Símaco, constituindo este
diadema a primeira coroa da tiara papal. Este gesto de Clóvis ratificou a afirmação de que a primeira coroa atesta que o Papa é pai dos
reis. Assim, esta cobertura de cabeça passou a se chamar Regnum. O termo tiara é citado pela primeira vez, na biografia do Papa Pascoal
II, no Liber Pontificalis, em 1118. Até o final do século XIII, a primeira coroa era um aro denteado e radiante, quando então passou a ser
adornada de florões e folhas de acanto.
Em decorrência do conflito entre Filipe, o Belo, e a Santa Sé; em 1301, o Papa Bonifácio VIII acrescenta uma segunda coroa à tiara papal,
para simbolizar a superioridade de sua autoridade espiritual em relação à autoridade civil. Passou a tiara aser donominada Biregnum.
Quanto à terceira coroa, com a qual a tiara passou a ser denominada Triregnum, os historiadores divergem quanto à data e quem a
acrescentou.
Segundo Pfeffel, foi João XXII que a acrescentou e o Grande Dicionário Histórico, de Moreri, nas sua sexta edição, dá o Papa Urbano V , e
o Dicionário de Expressões e Fábulas, de Brewer dá como autor deste acréscimo o Papa Bento XI ou Clemente V. Mas, a maioria dos
autores admite que, em 1342, o Papa Bento XII acrescenta à tiara sua terceira coroa, para
simbolizar a autoridade moral do Papa sobre todos os soberanos civis. Com este ato ele
também reafirmou a posse de Avinhão.
As duas ínfulas foram acrescentadas no século XIII, sendo que apenas no início do século
XVI foram acrescentados o globo a cruzeta, como se pode ver na tiara de Júlio II. A primeira
tiara de metal, surgida no período gótico, causou vicissitudes, em razão do poder temporal
que ela representava. Levada para Avinhão, foi reconduzida a Roma, por Gregório XI e,
novamente, transferida a Avinhão, por Clemente VII. Passou depois à Espanha, com o
antipapa Bento XIII, antes de ser retomada por Martinho V, em 1429, desaparecendo em
1485, quando foi roubada.
Durante a época da Revolução e da guerras da Itália, os soldados franceses pilharam
muitas tiaras, das quais se perderam os rastros. Restaram entretanto as mais belas: a de
Júlio II e de Paulo III.
As tiaras mais antigas foram destruídas, particularmente, a de Júlio II desenhada por
Ambrósio Foppa ao custo de duzentos mil ducados, um terço das arrecadações anuais dos
Estados Pontifícios, na época em que um pároco recebia vinte e cinco ducados ao ano; e a
de São Silvestre. Algumas tiaras antigas foram desmanchadas pelos papas, outras
saqueadas por invasores militares. O Papa Clemente VII mandou fundir todas as tiaras e
jóias do papado, em 1527, para reunir os quatrocentos mil ducados pedidos em resgate pelo
exército invasor do Imperador Carlos V. O saque realizado pelo exército de Louis Alexandre Berthier, em 1798, subtraiu inúmeras tiaras ao
patrimônio dos papas. Numa demonstração de que a importância da tiara concentra-se mais no seu valor simbólico que no valor material,
quando Roma estava nas mãos dos franceses, o Papa Pio VII, exilado em Veneza, foi coroado a 21 de março de 1800, com uma tiara de
papel maché, feita pelas damas da cidade. Em decorrência do Tratado de Tolentino, o Papa Pio VI as entrega em pagamento, conservando
apenas a de “papel maché”. Muitas tiaras foram oferecidas aos papas por líderes mundiais e Chefes de Estado, com a rainha Isabel II de
Espanha, o cáiser Guilherme II da Alemanha, e o Imperador Francisco José I da Áustria.
Após a concordata, Napoleão ofereceu uma tiara suntuosa a Pio VII, a chamada “Tiara Napoleônica”, paradoxalmente confeccionada com
peças das tiaras papais anteriormente pilhadas pelos franceses.
A última tiara usada numa coroação foi a de Paulo VI, que era muito mais cônica que as anteriores, sem jóias e gemas preciosas, e que,
seguindo a tradição, foi ofertada ao pontífice eleito pelos fiéis da sua cidade de origem, no caso Milão.
Vinte e duas tiaras papais chegaram aos dias atuais e a maioria delas está em exposição no Vaticano. As mais apreciadas são: a chamada
“Tiara Belga” de 1871, a de 1877 e a de 1903.
O actual emblema papal contém a tiara de três coroas.Os autores dão vários significados para as três coroas. Sendo que todos se referem
a um triplo poder.
O significado das três coroas evoluiu no decorrer da história. Tradicionalmente, o triplo poder (militar, civil e religioso) era igualmente
exprimido por três títulos:
      * Pai de reis
      * Regente da Igreja
      * Vigário de Cristo
A maioria dos autores dão esta explicação:
      * A primeira coroa é símbolo do poder da Ordem Sagrada, pelo que o Papa é Vigário de Cristo, sucessor de São Pedro, nomeando os
        bispos e sendo, por excelência, o grande Pai da Cristandade.
      * A segunda coroa representa o poder de Jurisdição, em virtude do poder das chaves, ou seja, o de ligar e desligar na terra e no céu.
      * A terceira coroa representa o poder do Magistério, em virtude da infalibilidade papal.
Outros autores dizem que as três coroas expressam as três fases da Igreja: militante (na terra), padecente (no purgatório) e triunfante (no
céu).
Outra explicação fala das três funções do papa:
      * Sacerdote: (bispo de Roma)
      * Rei: Chefe de Estado soberano
      * Mestre: árbitro e detentor do magistério supremo, dotado de infalibilidade.
Ainda temos que o Papa é para os cristãos:
      * Sacerdote soberano
      * Grande juiz
      * Legislador
De forma semelhante o papa é considerado:
      * supremo pastor
      * supremo professor
      * supremo sacerdote
E por fim, outros dividem as coroas pelos poderes:
      * Temporal: Chefe de Estado soberano
      * Espiritual: Chefe da Igreja
      * Moral: superioridade em relação aos outros poderes do mundo
Seu uso sempre foi extralitúrgico, sendo utilizada na cerimônia de coroação papal e quando o Sumo Pontífice se dirigia e retornava das
funções solenes, como por exemplo nas procissões. Era também colocada sobre o lado direito do altar (lado das leituras), nas missas
solenes. Também comparecia a tiara quando o Papa era transportado na sede gestatória. Além disso, a tiara era usada nos atos jurídicos
solenes, como, por exemplo, nas falas ex cathedra , no uso da infalibilidade papal; e também na tradicional bênção Urbi et Orbi, no Natal e
na Páscoa, cerimônias que prescreviam o seu uso. Nos cortejos solenes, pedestres e nas cavalgadas de aparato, as coberturas papais de
cabeça - a tiara e a mitra - eram publicamente exibidas com grande ênfase, na continuidade do triunfo romano. Este costume, comum às
instituições monárquicas, militares e judiciárias, manteve-se até pelo menos 1969. Um camareiro, chamado bussolante transportava a tiara
num suporte oval de madeira revestida de veludo e não em almofada agaloada ou salva de prata. Desde Clemente V até Paulo VI todos os
papas foram corados com a tiara e a usaram como símbolo da sua autoridade, em ocasiões cerimoniais. Os papas não eram limitados a
usar somente a sua tiara, sendo que poderiam livremente, usar outras antigas, de seus predecessores, desde que, obviamente, lhes
adaptassem o tamanho.
O Papa Paulo VI doou a sua tiara, que recebera dos fiéis de Milão, para socorro dos pobres da África. Esta tiara foi, então, adquirida pelos
católicos dos Estados Unidos, através do cardeal Francis Joseph Spellman, arcebispo de Nova York, sendo o dinheiro arrecadado
destinado às missões africanas. Esta tiara de Paulo VI, desde de 6 de fevereiro de 1968, está exposta na sala dos ”ex-votos”, na Basílica
da Imaculada Conceição, em Washington, juntamente com uma estola de João XXIII.
É a eleição pelo Conclave e a aceitação do eleito que confere, ipso facto, a plena jurisdição do papa. A coroação ou a entronização com o
juramento de fidelidade apenas marcam o início do ministério petrino, tendo valor simbólico, e não jurídico. Como modernamente acontece
na maioria das monarquias ocidentais ainda existentes, os últimos papas não tem mais iniciado seus reinados com a cerimônia de
coroação, apesar de, tecnicamente, ainda poderem fazê-lo, se assim desejarem. O Papa João Paulo I não quis ser coroado com a tiara,
iniciando seu pontificado com a cerimônia de entronização e o juramento de fidelidade. Seus sucessores João Paulo II e Bento XVI fizeram
o mesmo. Alguns veículos de comunicação relataram que o Papa João Paulo II teria recebido uma tiara dos católicos húngaros, em 1981,
mas que nunca a usou em público. Recentemente, a existência da dita tiara húngara de João Paulo II foi confirmada, sendo sua imagem
divulgada . Como a cerimônia de coroação papal não foi oficialmente abolida, fica a cargo do eleito escolher como quer iniciar seu
pontificado. Contudo, desde João Paulo I, os papas eleitos têm optado por uma cerimônia de "início do pontificado", com a respectiva
entronização e o juramento de fidelidade.
Como uma espécie de último resquício do uso da tiara papal, no dia 29 de junho, a imagem de bronze de São Pedro, na Basílica Vaticana,
é tradicionalmente ornada com uma tiara.
O primeiro papa a ser solenemente coroado, depois de sua eleição, foi Nicolau II, em 1059. As primeiras coroações ocorreram na
Arquibasílica de São João Latrão. Porém, tradicionalmente, as coroações passaram a acontecer na Basílica de São Pedro, sendo que
algumas ocorreram em Avinhão. Em 1800, Pio VII foi coroado na igreja do mosteiro beneditino de São Jorge, em Veneza. Desde 1823,
todas as coroações ocorreram em Roma, sendo que até a metade do século XIX, voltaram a ser realizadas na Arquibasílica de São João
Latrão e depois, novamente, na São Pedro. Os papas Leão XIII e Bento XV foram coroados na Capela Sistina. Pio XI foi coroado na frente
do altar-mor da basílica vaticana.
Já os Papas Pio IX, Pio XII, João XXIII e Paulo VI foram todos coroados no balcão principal da basílica, para que a multidão da Praça de
São Pedro pudesse visualizar a cerimônia. A primeira coroação a ser filmada e transmitida por rádio foi a de Pio X II, que durou seis horas e
contou com a presença de diversos reis, príncipes, chefes de Estado.
A cerimônia:
A primeira parte da cerimônia, provavelmente, vem da época em que os papas eram combatentes ativos da ordem temporal. A cerimônia de
coroação papal, que tradicionalmente era celebrada, na Basílica de São Pedro, ou nas suas vizinhanças, era muito semelhante às
cerimônias medievais de Constantinopla.
O papa era levado, processionalmente, ao local da coroação, paramentado de com estola e rica e ampla capa pluvial, com mitra preciosa
na cabeça, sentado na sede gestatória, sob o pálio, seguido por dois ministros que lhe abanavam com os flabelos, símbolo da autoridade
monárquica do Papa, resquício dos imperadores bizantinos. Paulo VI foi coroado, estando paramentado como que para a celebração da
missa,com a estola, dalmática, casula, fano e o pálio.
De acordo com o Pontifical Romano, o Cardeal Proto-Diácono retira a mitra do papa e, ao colocar a tiara na sua cabeça, diz: “Accipe tiaram
tribus coronis ornatam et scias te esse Patrem Principum et Regum, Pastorem Orbis in terra, Vicarium Salvatoris nostri Iesu Christi, cui est
honor in saecula saeculorum, Amen” (Recebei a tiara, ornada de três coroas, e sabei que sois Pai de Príncipes e Reis, pastor de toda a
terra e Vigário de Jesus Cristo, nosso Salvador, a quem é dada toda honra por todos os séculos dos séculos. Amém).
A seguir, um monge se apresenta por três vezes diante do novo Sumo Pontífice para queimar, a seus pés, uma mecha de estopa e lhe
falar: “Sancte Pater, sic transit gloria mundi” (Santo Padre, assim passa a glória do mundo).
As primeiras menções a este ritual remontam ao século XIII, nos escritos do dominicano Estevão de Bourbon (Étienne de Bourbon). O
padre e cronista Adão de Usk fala também desta cerimônia em seu Chronicon, quando da coroação do Papa Inocêncio VII. O rito da
queima da estopa também é de inspiração bizantina, numa lembrança que ao Imperador também chega à morte. Na coroação papal, é
lembrado ao Soberano Pontífice que ele é um homem e deve-se guardar de todo orgulho e vaidade. Isto é um resquício da antiga prática
romana, quando da parada triunfal, em que um escravo ficava lado à lado com um general, murmurando-lhe “Hominem te esse” (Tu
também és mortal).
Ao lado da coroação e da entronização com o juramento de fidelidade, também há outras cerimônias simbólicas que marcam o in´cio de um
novo papado, como a tomada de posse do Palácio e da Arquibasílica de São João Latrão e a proclamação das indulgências.
A legislação:
Apesar de ter doado a sua tiara, o Papa Paulo VI, na Constituição Apostólica Romano Pontifici Eligendo, de 1975, manteve o rito da
coroação, conforme o texto: “Enfim, o Pontífice será coroado pelo Cardeal Proto-Diácono e, dentro de um tempo conveniente, tomará posse
da patriarcal Arquibasílica Lateranenese, segundo o rito prescrito no Romano Pontifici Eligendo (1975), 92.
Pela legislação atual, promulgada pelo Papa João Paulo II, na sua Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, de 1996, que reviu as
regras para a eleição do papa, apenas é citada a cerimônia de inauguração do ministério petrino: "O Pontífice, depois da solene cerimônia
de inauguração do Pontificado e dentro de um tempo conveniente, tomará posse da patriarcal Arquibasílica Lateranenese, segundo o rito
prescrito.Universi Dominici Gregis (1996), No. 92. Portanto, a terminologia é descritiva, não estabelecendo nenhuma regra quanto à forma
da Cerimônia. Todavia, um pontífice eleito tem plenos e máximos poderes, não sendo vinculado a nenhum cerimonial feito pelos seus
predecessores, sendo livre para escolher como será a cerimônia de início de seu pontificado, com coroação ou entronização com juramento
de fidelidade.
Desconsiderando a tiara de papel maché, a tiara mais leve foi a de João XXIII, de 1959, que pesava 900g, assim como a de Pio XI, de
1922. Já a tiara cônica de Paulo VI pesava 4,5 kg. A mais pesada de todas as tiaras é a que foi doada por Napoleão, em 1804, para festejar
seu casamento com Josefina e a sua coroação como Imperador da França. Esta tiara pesa 8,2 kg, mas nunca mas foi usada, por ter sido
feita muito estreita. Alguns historiadores afirmam que foi propositadamente feita assim, para que servisse apenas a Pio VII. Para se ter uma
ideia do peso, a coroa de Santo Eduardo, que é a coroa usada pelos monarcas ingleses, pesa apenas 2,155 kg.
A rainha Isabel II do Reino Unido, depois de ser coroada, disse que a coroa era um pouco pesada ("does
get rather heavy"). Também o rei Jorge V comentou depois do "Delhi Durbar", em 1911, quanto mal a coroa
imperial da Índia lhe fizera, porque era muito pesada ("hurt my head as it is rather heavy"). Todavia, estas
duas coroa são mais leves que a maior parte das tiaras papais e pesam menos que um terço da tiara de
1804, de Pio VII, Cf. Gyles Brandreth, Philip & Elizabeth (Century, 2004) p. 311. e "The Crown Jewels"
publicado pela Torre de Londres.
A heráldica define a tiara como a mais nobre, a mais destacada e a primeira dentre todas as coroas.
Sempre foi usada como timbre dos brasões papais, segundo alguns, desde Lúcio II. De 1144 a 1294
estaria representada com uma única coroa, a partir de 1301, com duas e, a partir de 1342, com três.
Tanto João Paulo I como João Paulo II mantiveram a tiara como timbre de seus brasões. O Papa Bento XVI, por influência do heraldista
Monsenhor Andrea Cordero Lanza de Montezemolo
(depois tornado cardeal), a excluiu de seu brasão,
substituindo-a por uma mitra de prata com três traços
dourados (numa referência às três coroas da tiara). Esta
atitude de Montezemolo gerou crítica em todas as
instituições heráldicas do mundo, que, dentre as muitas
argumentações, alegaram que a Heráldica submete-se a
leis seculares e fixas, que não podem ser alteradas ao
sabor das circunstâncias. A Sociedade Heráldica
Americana chegou a sugerir que Montezemolo utilizasse
pelo menos o camelauco no brasão papal. Por outro lado, a
retomada do pálio omofório, no brasão, foi elogiada por
muitos especialistas.
Os únicos lugares onde o Brasão de Bento XVI porta, com
sua autorização, a tiara é nos jardins do Vaticano, na
bandeira da Guarda Suiça e nas impressões do Rito
Romano Extraordinário.
A tiara ainda está presente no brasão, na bandeira e no selo da Santa Sé e no brasão da Cidade do Vaticano.
As armas presentes na bandeira vaticana são semelhantes às armas papais, exceto pela posição das chaves de ouro e prata, que são
invertidas.
Somente um outro prelado católico pode usar a tiara pontifícia no seu brasão de armas, o Patriarca de Lisboa, título criado em 1716 e
atribuído ao arcebispo de Lisboa desde 1740. Para os heraldistas, nunca houve confusão entres os brasões, visto que nos brasões papais
e da Santa Sé estão sempre presentes as chaves decussadas, de São Pedro. O atual Patriarca de Lisboa, D. José da Cruz Policarpo,
optou por não usar a tiara no seu brasão, usando, em vez disso, o chapéu cardinalício (gallero) com as 30 borlas de goles (vermelho) de
cada lado. Nas armas do Patriarcado, porém, a tiara continua a figurar.
Também as universidades e instituições pontifícias usam, em seus brasões, a tiara como timbre. Algumas basílicas também usam a tiara
como timbre de seus brasões, enquanto outras usam a umbela vermelha e amarela.
Segundo alguns autores, o sultão otomano Solimão, o Magnífico, no século XVI, encomendou a artesãos italianos uma tiara com quatro
coroas, feitas sob o modelo das tiaras papais, tentando demonstrar que seu poder e sua autoridade eram superiores à do Soberano
Pontífice. (Cf. http://en.wikipedia.org/wiki/File:Suleiman_Agostino.JPG)